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BERLIM - A METRÓPOLE DO FUTURO
A capital da Alemanha não é mais a mesma. Treze anos após a queda
do Muro, ela está mais moderna e multicultural do que nunca. Quando o
trator dos novos tempos pôs abaixo uma cidade dividida, arquitetos
famosos mudaram sua face. Quente, cheia de novas atrações, rica e
bonita.
A Nova Berlim começou a surgir após a derrocada do Muro, em
novembro de 1989, com os movimentos espontâneos de reocupação de
prédios abandonados no lado leste, os squats, que ficavam próximos da
fronteira com o oeste. Jovens artistas transformaram alguns desses
imóveis em galerias de arte e espaços para festas de música
eletrônica. Muitos se transformaram em prédios de apartamento,
enquanto outros viraram centros culturais. O mais famoso deles é o
Tacheles. Construído em 1907, ele estava caindo aos pedaços quando foi
tomado por artistas em 1989. Atualmente funcionam ali um teatro, um
cinema, uma galeria de arte, um café, vários ateliês e um jardim de
esculturas. Vale a pena passar o portão de ferro e chegar à parte de
trás para ver os muros lotados de desenhos coloridos e passear pelo
jardim de esculturas.
A região onde está o Tacheles chama-se Mitte, que significa
"meio", e é o bairro mais agitado da cidade. Reúne
restaurantes, cafés, bares, boates, cinemas, galerias e museus. Por
não ser muito grande e possuir ruelas e becos discretos, o melhor é
explorá-lo a pé. Orientar-se é fácil, pois no centro de Mitte está
Alexanderplatz, a praça onde fica a Fernsehturm, a Torre de Televisão
que parece uma nave espacial e pode ser vista de quase todo lugar. Ela
foi construída no fim da década de 60 para ser o monumento máximo de
Berlim Oriental, símbolo do progresso proporcionado pelo comunismo.
Deixe-se guiar pelo monumento e aproveite o passeio.
Seguindo a mesma rua do Tacheles em direção à Torre de Televisão,
encontra-se a Neue Synagoge (Nova Sinagoga). Bastante policiada nestes
tempos de terrorismo islâmico, vale a pena dar uma olhada de perto na
cúpula, com seus ornamentos em dourado. Andando novamente em direção
à Torre de Televisão, chegamos à área de Hackescher Markt, onde se
encontra o curioso e charmosíssimo complexo de entretenimento Hackesche
Höfe. O visitante desinformado pode passar sem notar esse labirinto
cheio de atrações - a entrada discreta e estreita não dá pistas de
que ali existe uma estrutura de becos e pátios internos, com
restaurantes, livrarias, salas de cinema, galerias e lojas.
Próxima parada: Alexanderplatz. A praça mais famosa de Berlim está
cercada de atrações, a maioria delas impregnadas pela aura
grandiloquente da arquitetura socialista, entre o horrendo e o
maravilhoso: os prédios quadrados de concreto da antiga Alemanha
Oriental, a fachada do centro comercial Kaufhof, a própria torre...
Todos eles bravos sobreviventes do velho mundo comunista, que contrastam
bruscamente com os edifícios da Nova Berlim. Mitte é também o bairro
onde se concentram museus e monumentos. A Museumsinsel (Ilha dos Museus)
abriga cinco deles. O mais novo, o Pergamon Museum, único do século
20, reúne um dos mais importantes acervos arqueológicos do mundo. Tem
tesouros como o impressionante Altar Helênico de Zeus, de mármore. O
mais antigo, de 1830, é o Altes Museum. Vizinho aos museus está o
Berliner Dom, a Catedral, cuja cúpula verde-esmeralda sobressai na
paisagem. Construída entre 1894 e 1905, foi recentemente restaurada dos
estragos causados pela Segunda Guerra Mundial.
Depois de tanta caminhada, continue a aventura pelos trilhos do
S-Bahn, o metrô de superfície. O sistema de transporte é limpo,
eficiente, fácil de utilizar e barato (veja o quadro). E, para
completar, a vista das janelas é excelente. Passando pela estação
Friedrichstrasse, dá para ver a cúpula de vidro do Reichstag, o
Parlamento. Bastante maltratado pelos conflitos do século 20, ele está
brilhando. Após a reunificação, foi restaurado e ganhou sua moderna
cúpula de vidro. A estrutura em espiral, coberta de espelhos, merece
ser escalada. Ela é especialmente bonita à noite, quando a
iluminação lhe confere um ar dramático.
Perto da estação de metrô Bellevue está o Siegessäule, monumento
erguido entre 1864 e 1873. No topo da coluna de 80 metros, ergue-se a
estátua dourada do Anjo da Vitória, celebrizada no filme Asas do
Desejo. Quem quiser chegar mais perto do ponto de vista do protagonista,
o anjo Damiel, pode escalar os 285 degraus da escada em espiral.
Os alemães não reconstruíram tudo o que foi destroçado na Segunda
Guerra. Por uma simples razão: não esquecer. A Igreja de
Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, por exemplo, preserva sua torre,
partida nos bombardeios. A rua onde ela fica se chama Kurfürstendamm e
é famosa como o bulevar das compras. Não se preocupe se o nome é
impronunciável: você a encontrará se seguir os luminosos de grifes
como Gap ou Benetton. Uma das transversais é a chiquérrima
Fasanenstrasse, onde você vai achar aquele vestidinho básico Chanel ou
o essencial diamante Tiffany. Toda essa área, chamada Charlottenburg,
se distingue pela sofisticação. Por estar longe do Muro, o bairro,
mais sóbrio, não tem squats ou paredes grafitadas.
Falando em Muro, você já deve estar se perguntando: onde ele está?
É hora de rumar para leste, para a estação Warschauer Strasse. Ali
está a East Side Gallery, como é conhecido o maior pedaço que restou
do Muro de Berlim. Mesmo não sendo muito grande, dá para se ter uma
idéia de como era a vida em uma cidade cortada ao meio. Os desenhos,
grafitados no fim dos anos 80, estão sendo recuperados. No entanto, os
grafites mais antigos e apagados, aqueles que resistem à ação do
tempo, são os mais marcantes.
Perto da East Side Gallery se localiza Kreuzberg, o bairro mais
multicultural da cidade. Graças à expressiva comunidade turca, é onde
se come o melhor kebab fora da Turquia. Em Kreuzberg, estão os dois
museus que melhor contam a história tumultuada da Berlim do século 20.
Um deles é o Jüdisches Museum (Museu Judaico), aberto em 1999. A
construção, nada convencional, é feita de placas de zinco com janelas
que parecem rachaduras, cortando a superfície lisa e cinzenta.
Concebido pelo arquiteto Daniel Libeskind para ser uma interpretação
dos temas abordados no interior, o prédio causa arrepios.
Principalmente a Torre do Holocausto, onde somos convidados a entrar em
um beco triangular, vazio e silencioso, cercado por paredes altíssimas,
com apenas uma fresta no topo para a entrada de um feixe de luz. Ali
podemos ficar quanto tempo quisermos, ou agüentarmos. A sensação de
nó na garganta é inevitável. O prédio não precisa de nada mais para
comunicar a mensagem do museu: sozinho diz tudo.
Diferentemente do Museu Judaico, o Checkpoint Charlie não
impressiona pela forma, mas pelos documentos, fotos e objetos que
abriga. O tema predominante são as técnicas utilizadas por aqueles que
se aventuraram a cruzar a fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental.
Os registros mostram tanto o sucesso dos que conseguiram ultrapassar o
Muro, quanto o destino trágico dos que fracassaram. Berlim é isso:
embora várias edificações tenham sido postas abaixo para dar espaço
a projetos modernos, as camadas da história fazem questão de resistir.
Berlim segue sua trajetória da maneira como se espera de uma das
capitais mais fascinantes da Europa: para a frente. Ainda que, nas
redondezas de cada prédio hi-tech, de cada galeria e de cada
superboate, um monumento ou um pedaço de muro grafitado apontem o dedo
para o passado.
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